quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lembranças escolares

Mesmo já estando de volta ao Rio há 1 ano, essa ainda tem sido uma experiência interessante. É inevitável que muitas lembranças me venham à mente, principalmente por ter voltado a morar no mesmo bairro onde vivi até os 18 anos.


É curioso observar como algumas coisas não mudam, outras mudam pouco e algumas desaparecem deixando saudades . E eu sendo assumidamente nostálgica, inevitavelmente estou sempre lembrando de lugares e passagens inesquecíveis da minha vida.


Uma das mais fortes é o último colégio onde estudei no Rio, o Santa Rosa de Lima – fiquei lá dos 13 aos 17 anos. Era um colégio não muito grande - tinha uma média de 2 turmas por série - daqueles onde quase todo mundo se conhecia.


Foram incontáveis histórias vividas lá, claro que nem todas agradáveis, mas felizmente as lembranças boas são mais fortes e, na maioria das vezes, engraçadas.


Como por exemplo, esquecer do dia em que meu pai me deu carona até lá num Fusca bicolor e me matou de vergonha gritando “Minha filha, não vai fumar maconha no recreio!”?


Ou o dia em que o motorista da família por algum motivo teve que entrar no colégio com o carro que era quase uma banheira de tão grande e chamava muita atenção, e eu e minha irmã morremos de vergonha do pessoal olhando aquela cena.


Outra situação memorável eram as saídas das aulas, quando normalmente eu e minha duas amigas Renatas ficávamos conversando horas a fio na porta sem pressa de ir embora, afinal nenhuma de nós trabalhava ou tinha muitos compromissos no alto dos nossos 15 anos. A gente sempre, sempre ria muito.


Foi nesse colégio que aconteceu algo inédito na minha vida escolar, fui parar na sala da diretora. Um dia durante o intervalo fiquei no portão conversando com a minha irmã que (ainda) não estudava lá e estava do lado de fora do colégio, pois não haviam deixado-a entrar para me dar um recado. Me revoltei e tomei essa atitude que julgaram ser muito radical pros padrões do colégio (que era de freiras). Como eu sempre fui obediente e comportada, a ida à sala da Graça, só me rendeu uma advertência verbal, mas se tornou inesquecível.


Um dos motivos pelos quais eu adorei ir ao colégio durante um ano inteiro, foi o Fred, professor de Matemática. Ele tinha o bumbum mais lindo que aquelas adolescentes já haviam visto, mesmo que só por dentro da calça. A minha turma na época, tinha umas 10 meninas e um dia resolvemos juntar nossas carteiras todas na frente da sala só pra admirar o sujeito, o que rendeu muitas risadas, mas um preço caro. A partir desse dia, o Fred passou a só usar blusa pra fora da calça e, até onde se sabe, aquele bumbum perfeitinho, nunca mais foi visto.


Teve um belo dia em que eu, e duas amigas resolvemos matar aula, e ficamos na coxia do teatro do colégio conversando. Ninguém descobriu e saímos dali um pouco frustradas, pois no fundo queríamos causar certa polêmica e chamar atenção. O máximo que aconteceu, foi perdermos uma aula e ficarmos com uma falta.


Mudei para esse colégio, pois fui reprovada no anterior, de onde tive que sair. Para compensar, meu ano como repetente foi um sucesso. Logo no primeiro bimestre, tirei a melhor nota da minha vida, um inédito 9,8 em matemática! E o professor não era o Fred. Nunca esqueço a letra redondinha do “tio” Novaes - também redondinho - em caneta verde e a alegria de ver uma nota tão alta na matéria que foi meu carma durante toda minha vida.


Um fato curioso que me marcou, foi quando alguns anos antes de estudar lá, por causa do colégio onde eu estava, fui apresentar um espetáculo de DANÇA! Sim, eu me vesti de Mulher Maravilha – sem falsa modéstia, a mais bonita do meu grupo de quatro – e apresentei uma coreografia. Acho interessante observar como eu era desinibida. Hoje jamais faria isso, e fico me perguntando como tive coragem de me expor daquela maneira.


Um dos poucos episódios tristes que lembro ter vivido lá, foi quando no final do 1º colegial, num belo sábado de sol, fui pegar o resultado da 1ª recuperação, certa de que teria passado em todas, ou em pelo menos 3 das quatro em que havia ficado. Eis que caiu uma bomba em minhas mãos, eu acabei sendo reprovada, pois só poderia ter ficado em uma, e acabei ficando em duas. Foi um baque e com certeza um dos dias mais tristes da minha vida. Ouvi uma frase da minha mãe que nunca mais esqueci: “Porque você não aproveita e se matricula pra sempre no 1º colegial?”. Felizmente não foi necessário e o trauma foi superado, mas não deixa de ser uma lembrança ruim que tenho de um colégio que me trouxe tantas alegrias.


Outra recordação não tão legal, mas que não chega a ser triste, é das sempre traumáticas aulas de educação física. Talvez tenha tido algumas professoras ao longo dos 5 anos em que estudei lá, mas só lembro de uma, a Ester. Eram duas aulas por semana, sendo que numa delas praticávamos algum esporte (normalmente vôlei) e em outra, dança. Como já era mais velha do que quando fiz aquela apresentação, acho que passei a ter vergonha e era um verdadeiro martírio aprender uma coreografia que eu nunca apresentei. Aliás, não lembro se um dia alguém fez uma apresentação oficial.


Lembro também de um acontecimento que foi um dos mais divertidos daquela época. O colégio inteiro participou de uma gincana, daquelas em que se precisava fazer de tudo um pouco. Arrumar fotos antigas, fazer apresentações bizarras, entre outras coisas engraçadas. Não esqueço de uma das meninas mais nerds – ou “prega” como falávamos naquela época - cantando uma música então onipresente, Lost in Your Eyes da Debbie Gibson. Até hoje quando ouço a dita cuja lembro desse episódio. Foi um sábado tão divertido que acho que naquela dia quase ninguém se incomodou por ter acordado cedo.


E como as aventuras não aconteciam só dentro do colégio, durante um passeio noturno por Copacabana, vivi algo inusitado. Era um grupo grande e estávamos andando no calçadão, quando nos deparamos com a gravação de uma novela da época, Barriga de aluguel. Resolvemos parar pra assistir, quando alguém da produção foi até os curiosos transeuntes e selecionou duas pessoas para fazerem figuração numa cena, que se passava na frente de uma boate.


Eu fui a escolhida, além de um dos meninos do meu grupo, mas que eu nem conhecia. Encostaram a gente num carro, pediram pra ficarmos conversando sem olhar pro lado. Mas isso foi quase impossível, pois estavam a poucos metros de mim, dois daqueles que na minha opinião eram os mais bonitos atores nacionais da época, Paulo Cesar Grande e Jairo Mattos. Me esforçava para tentar não olhar, e acho que consegui ser discreta, pois ninguém foi reclamar comigo. O mais difícil foi não ficar rindo da situação e tentar conversar com um estranho tendo ao meu lado dois galãs que eu não queria parar de olhar.


Claro que na 2ª feira seguinte, esse foi o assunto mais comentado no colégio. Mas infelizmente nunca vi essa cena, nem quando reprisaram a novela, muitos anos depois. Também fucei na Internet, mas foi em vão.


Infelizmente nunca fui um exemplo de boa aluna. Com exceção do 9,8 em matemática e umas eventuais notas 7 e 8 em Trigonometria – matéria que eu estranhamente adorava- acho que só tirei um 10 na minha vida. E mesmo assim foi num trabalho em grupo numa apresentação de literatura.


Não lembro o assunto, ou o motivo, mas resolvemos fazer uma espécie de teatro de fantoches com bonecos em papel machê criados por nós. O critério para se chegar à pontuação final consistia em se eliminar a menor e a maior nota dada pelos outros grupos e pelo professor, apelidado de Bambi pela molecada, por motivos óbvios. Não esqueço do comentário do dito cujo: “Como o grupo só teve nota 10, é óbvio que a média final é 10”. Fomos ovacionados em pleno teatro semi lotado. O curioso é que por algum motivo que também não lembro, o líder do nosso grupo era conhecido como “Humilhação”. Acho que nesse dia ele que se vingou, humilhando os outros grupos com um trabalho tão perfeito. Pena que não existem fotos disso.


As memórias são muitas. Tinha a Irmã Azeitona, o professor de Física tarado, o professor de química malucão Nabuco, o Wanderelei que conseguiu me fazer ter certa simpatia por biologia, a cantina bagunçada na hora do recreio, a santa que diziam que volta e meia aparecia pros alunos, uma infinidade de festinhas e reuniões, as paqueras platônicas, enfim, uma série de motivos que fizeram esses 5 anos se tornarem inesquecíveis.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um ano depois... o desabafo

Hoje faz um ano que voltei a morar no Rio, e durante esse tempo, muitas coisas aconteceram na minha vida e, principalmente na minha cabeça. Depois de 18 anos morando em São Paulo, e mesmo tendo voltado para cá com a mente e o coração abertos, hoje vejo que esse não tem sido um processo fácil.

O início foi muito bom, estava empolgada com a mudança, com a vida nova, pessoas e lugares estavam sendo redescobertos, a procura por apartamento era cansativa mas prazerosa, o novo ambiente de trabalho com colegas novos também me animava e a rotina ainda não me incomodava.

Alguns meses atrás, porém, tudo mudou. Várias coisas aconteceram ao mesmo tempo na minha vida, e comecei a me dar conta de que aquela fase legal, de novidades acabara. A rotina finalmente havia se instaurado, e eu passei a ter um dia-a-dia mais “normal”.

Minha ficha caiu. Comecei a me sentir sozinha, carente. Mudanças aconteceram no trabalho (relativamente pouco tempo depois de ter vindo para cá), nas minhas relações com pessoas daqui e também com algumas com quem mais costumava conversar e estar junto em São Paulo.

Pessoas fundamentais como meus pais e minha irmã, agora estavam longe, e apesar de me darem todo apoio e me ouvirem sempre, não é como se estivessem aqui do lado. A conversa, o desabafo cara a cara, o ombro e o abraço não estavam mais tão perto pra fazer com que eu me sentisse menos sozinha.

Meu círculo de amizades hoje em dia é super restrito. Conheço pouca gente da minha idade ou que tenha gostos parecidos com o meu. Além disso, o estilo de vida aqui é outro. Por exemplo, não curto praia, o que é algo que restringe um pouco minhas opções pra me divertir, e consequentemente me impede de conhecer mais gente. Os programas que fazia em São Paulo, são um pouco diferentes dos que aqueles que faço aqui. As músicas que eu ouço, aqui ninguém mais ouve. Shows? Praticamente não sei mais o que são, não tenho companhia e, com raras exceções, não me aventuro a ir sozinha. Assim como nem sempre consigo companhia pra ver filmes menos comerciais/hollywoodianos. Praticamente não tenho com quem eventualmente tomar um chopp no final do expediente. Não é todo mundo que gosta dos mesmos livros que eu. E por aí vai...

Com isso ainda não aprendi a conviver e é algo que me incomoda um pouco. Não posso dizer que tinha inúmeros AMIGOS em São Paulo, mas conhecia bastante gente, e inevitavelmente minha vida era um pouco mais agitada.

Felizmente, todo o resto dos meus familiares está aqui. Sou eternamente grata a vários, cada um por seus motivos. Sempre me ajudaram, me apoiaram em tudo, aturaram minhas crises, enfim, estiveram (e ainda estão) ao meu lado em tempo integral. Mas mesmo assim, ainda sinto que falta alguma coisa.

Algo que agravou toda essa situação, foi uma ida recente a São Paulo. Estive com meus pais, minha irmã e alguns poucos amigos. Pela primeira vez durante esse último ano, voltei de lá extremamente balançada.

Estive em lugares onde talvez não devesse ter estado, pois fizeram me lembrar de um tempo que não volta, algo que apesar de bastante óbvio, me causou uma sensação estranha, uma espécie de frustração. Revivi algumas situações, até simples, mas das quais sempre sentirei falta. E o mais relevante de tudo, vi pessoas que não via há algum tempo e que mexeram muito comigo. Assim como não ter tido a possibilidade de ver algumas pessoas queridas, foi algo que também me entristeceu.

Sofri e chorei muito na volta ao Rio. Fiquei lembrando da vida que tinha antes, das pessoas com as quais convivia freqüentemente e das quais hoje sinto falta, e principalmente de como (acho) que era mais feliz, apesar dos pesares. Por alguns dias, a ideia de voltar a morar em São Paulo, foi cogitada. Mas nada como algumas horas de terapia e conversas com algumas pessoas importantes. Me fizeram finalmente enxergar que eu preciso ser paciente, afinal não posso querer construir em 1 ano, a vida que levei 18 para construir em São Paulo. Sei que fui precipitada, mas foi o que senti durante alguns dias.

Sem falar que se voltasse, eu teria alguma garantia de que teria aquela mesma vida de volta? Acho que não. Eu mudei, as pessoas mudaram.

Só sei que voltei de lá decidida a rever minhas amizades. Resolvi definitivamente abrir mão de falar com algumas pessoas que durante esse último ano, não me procuraram uma vez sequer para saber como estava minha vida, se estava feliz, mesmo eu eventualmente procurando-as nas minhas idas a São Paulo. Em compensação, outras me surpreenderam, o que me deixou feliz. Vale dizer, que aqui no Rio, aconteceu praticamente o mesmo processo, ou seja, tive minhas decepções, mas não cheguei a riscar tanta gente da minha vida.

No final das contas, toda essa fase de reflexão foi válida para ver quem de fato ainda merece meu carinho e minha consideração. Assim como também pude me dar conta de que pessoas que julgava fundamentais na minha vida, não são.

Quando saí do Rio, há 19 anos, a vida que deixei pra trás, era bem diferente da que encontrei ano passado. Eu não tinha a ilusão de que depois de tanto tempo, fosse encontrar tudo igual. Mas algumas mudanças foram tão radicais, que talvez eu tenha levado algum tempo para me adaptar a elas. Mas uma ilusão eu tinha sim, a de que por ser um lugar conhecido, com pessoas conhecidas, seria fácil. De fato seria bem mais complicado se mudasse para uma cidade estranha, onde não conheço ninguém, mas no fundo acho que fiquei assustada ao me deparar com a nova realidade, com o fato de que nada foi tão tranquilo quanto eu esperei que fosse.

Eis que esse foi um ano de muitas surpresas, crescimento e decepções. As saudades e as lembranças estão pesando cada vez mais, mas ainda assim eu acho que é só uma nova vida que está começando. Portanto sei que inda tenho um longo caminho pela frente, seja aqui, em São Paulo ou em qualquer outro canto do mundo. Não gosto de chavões, mas aqui um se faz necessário: “É preciso dar tempo ao tempo”. Tenho me apoiado nisso ultimamente para tentar deixar a minha vida mais light, e acho que os resultados estão começando a aparecer.

Obrigada a quem esteve e ainda está comigo durante todo esse tempo, aturando minhas crises, choros, lamentações e me dando apoio e carinho! E lendo os meus desabafos !

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pessoas especiais

Para não deixar o blog morrer, resolvi publicar esse texto escrito no longínquo ano de 2005. Assim que possível volto com textos novos.

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Eu como deficiente física me sinto na obrigação de falar um pouco sobre o assunto, algo que não costumo fazer. Para quem não me conhece ou nunca me viu, eu tenho um problema nos membros inferiores e ando mancando, mas não preciso de aparelhos para me locomover, o que realmente facilita a minha vida. Felizmente levo uma vida normal, o que não significa que não tenha minhas limitações.


Como a minha deficiência nem sempre é notada, o que só acontece quando eu ando, passo por muitas situações curiosas, engraçadas e constrangedoras (para os outros, não para mim) quando, por exemplo, me vêem na parte do ônibus reservada para deficientes ou numa fila reservada para os “especiais”.


Mas como sou uma pessoa que lida bem com isso, acabo vivenciando mais momentos engraçados do que tristes ou incômodos. Algo muito comum é evangélicos ou senhoras carolas tentarem me levar para a igreja achando que vou ser curada. De algumas pessoas eu chego a ter pena, pois foram manipuladas e sofreram alguma lavagem cerebral, mas outras são ignorantes mesmo e acham que posso ser curada indo a alguma igreja ou me convertendo para determinada religião. Levo numa boa e rio da situação.


Outra das minhas armas é a ironia. Comigo mesma. Tento fazer piada com os meus problemas na tentativa de deixar as pessoas mais à vontade ao saberem que não sou uma pobre coitada. O que, aliás, é algo que deficientes detestam, que sintam pena dele. Não precisamos disso, queremos ser vistos como pessoas fisicamente normais e ser respeitadas, nada mais. Mas observo que muitas vezes minhas piadas deixam as pessoas sem graça e venho tentando encontrar um ponto de equilíbrio. Pelo menos os que já me conhecem acham divertido e acabam rindo comigo.


Mas se uma parte de mim é divertida, bem humorada, irônica e faz piada dos próprios problemas, a outra sofre com os absurdos que vê. É comum eu entrar no ônibus ou metrô e ver pessoas fingirem que estão dormindo para não me cederem o lugar. A menos que vá percorrer uma grande distância, deixo passar, mas já tirei muito malandro do banco para eu sentar. Já arrumei briga, já fiz mini escândalo, mas sou sensata o suficiente a ponto de não tirar um idoso ou alguém mais deficiente que eu do lugar.


A mentalidade do brasileiro precisa mudar, há muito a ser aprendido sobre cidadania, bons modos e gentileza. Nós não pedimos para ser tratados como problemáticos, coitadinhos, mas sim como pessoas que tem necessidades especiais e alguns direitos a mais.


Às vezes até penso que sou pouco atuante, pois não participo de nenhuma entidade em defesa de deficientes e me condeno pois acho que se eu, que faço parte dessa minoria não entro nessa briga, os outros não têm que tentar, mas creio que é através de pequenas ações, como escrever esse texto, que posso estar mudando uma mentalidade aqui, outra ali.


Acho que de um tempo para cá muita coisa melhorou. Há mais espaço em transportes públicos destinados aos deficientes, mais acessos próprios para eles, mas ainda está muito aquém do ideal, principalmente a questão do respeito. Esses dias entrei numa comunidade de deficientes físicos no Orkut, onde pessoas comentavam sobre os absurdos que viam ou ouviam e me assustei ao ver que em 2005 ainda há pessoas que nos vêem como doentes.


Tenho muito orgulho de mim, de tudo que conquistei - amigos, emprego, cultura - e principalmente de poder ser vista como uma pessoa “normal”. Não sou revoltada, sei conviver muito bem com minha diferença. Mas infelizmente já tive contato com muitos que não pensam assim, principalmente os que adquiriram a deficiência em alguma fase da vida, o que não é meu caso. Quando a pessoa nasce com a deficiência é bem mais fácil aceitar sua condição, de modo que dentro do possível tento ajudar algumas pessoas, dentro desse grupo ou não, a verem que é possível ser feliz, pelo menos grande parte do tempo. Não quero dar uma de Pollyana, só mostrar que a vida, mesmo pra quem tem problemas não só pode, como é legal.


Acho que é um assunto complexo, interessante e com muito a ser discutido. Voltarei aqui numa outra oportunidade para levantar outras questões que dessa vez deixei de fora, e espero que o texto de hoje tenha feito alguém pensar e quem sabe fazer alguma pequena ação.

domingo, 14 de março de 2010

Constatações femininas (válidas também para homens)

Você, mulher solteira (ou não!) que está em busca de um amor, de um caso, ou de qualquer tipo de relacionamento com um ser do sexo masculino, preste atenção ao que vou contar agora.

Não sou conselheira sentimental, pretensiosa e nem dona da verdade. Apenas percebi que com o passar do tempo e o avançar da idade, comecei a dar valor a certas coisas aparentemente simples, corriqueiras, mas que considero fundamentais para um bom relacionamento.

Claro que tudo isso não garante nada, são as MINHAS percepções e opiniões, mas acredito realmente que pode ser um bom começo.

Certamente o eleito vai apresentar defeitos, mas basta que sejam aceitáveis e você consiga conviver com eles. Cabe a você colocar na balança e avaliar. Se ele tiver pelo menos algumas dessas qualidades, talvez valha a pena investir.

Portanto, modestamente, hoje venho aqui compartilhar algumas dessas constatações.

E se você for homem, vale ler também, para saber algumas das características que (eu acho que) as mulheres prezam.

Ele...

... te respeita e tem consideração por você


... tem a voz sexy e uma risada contagiante

... quando está de mau humor disfarça e não desconta em você

... lembra freqüentemente de te emprestar livros, cd´s e dvd´s que ele tem e estão naquela sua lista de "para fazer/ler/comprar/ouvir", e ainda os deixa com você por meses a fio

... é encantadoramente atrapalhado

... te instiga, mantendo certo mistério a respeito de alguns assuntos, fazendo você ter vontade de desvendá-lo

... não é invasivo

... cuida bem de você

... te deixa à vontade

... não exige satisfações, tampouco explicações

... tem estilo

... não briga nunca com você

... não te faz chorar

... te trata com educação e carinho

... sempre presta atenção ao que você fala

... te mostra como é possível ser zen mesmo com a vida conturbada que levamos hoje em dia

... não é grude

... é cheiroso e gostoso

... tem uma timidez atraente, sem parecer um babaca tonto

... sabe se como se portar em qualquer ambiente

... tem aquela pegada ...

... é um gentleman e eventualmente te paga o jantar e o cinema

... ri das suas besteiras

... te faz rir com freqüência


... bebe sem exagero

... sempre topa fazer o programa que você sugere, sem deixar de também fazer o que ele tem vontade

... não faz nenhum tipo de cobrança

... curte os mesmos sons que você e como se não bastasse te apresenta a novidades interessantes

... é uma pessoa elogiada e querida por amigos em comum

E last, but not least...

... sabe fazer bem feito tudo aquilo que se espera de um parceiro.

domingo, 7 de março de 2010

Que bom seria...

... se nenhum casal brigasse na frente dos filhos.
... se não sentíssemos dores.
... se só ouvíssemos músicas boas quando ligássemos o rádio.
... se não tivéssemos tantas taxas e impostos para pagar.
...se nos apaixonássemos sempre pela pessoa certa e não chorássemos tanto.
... se não chovesse quando estivéssemos arrumados indo para uma reunião importante logo no dia em que esquecemos o guarda-chuva.
... se comer não engordasse.
... se viajar pro exterior não fosse tão caro.
... se nossos avôs e avós não morressem tão cedo.
... se o computador travasse menos.
... se nunca fôssemos ridicularizados ou julgados por gostar de alguém.
... se a temperatura estivesse sempre agradável, nunca frio demais ou quente demais.
... se não pegássemos trânsito com tanta frequência.
...se não fôssemos tão julgados pela aparência.
... se irmãos jamais se tornassem inimigos.
... se todo dia algo muito legal nos acontecesse.
...se não precisássemos repetir a mesma coisa três vezes seguidas para a mesma pessoa, sempre.
...se os remédios fossem de graça ou pelo menos mais baratos.
...se as pessoas não fossem tão intransigentes umas com as outras.
...se não houvesse mortes causadas por acidentes com veículos dirigidos por bêbados.
...se nossos animaizinhos de estimação não morressem nunca.
...se a ingestão de muito álcool não desse ressaca.
...se ninguém tivesse mau hálito, chulé e cecê.
... se todos tivessem uma família como a minha.
... se a gente nunca acordasse num "dia de cabelo ruim" e nem com olheiras.
... se não houvesse nenhum tipo de preconceito entre seres humanos.
...se algumas pessoas pensassem antes de dizer ou fazer certas coisas.
... se os adolescentes internautas soubessem escrever direito.
... se ninguém fosse solitário.
...se o chuveiro não pifasse bem na hora de tirar o sabonete e o shampoo.
... se não tivéssemos receio de sair à noite pelas ruas de grandes cidades.
... se pessoas mais pobres tivessem acesso à cultura.
... se nunca acordássemos mau humorados ou já cansados.
... se saíssemos sempre bonitos nas fotos.
... se todos tivessem contato com crianças para aprenderem a sorrir como elas.
... se nunca perdêssemos, inexplicavel e incompreensivelmente, o contato com pessoas queridas.
... se as unhas femininas cultivadas a muito custo não quebrassem com tanta frequência.
... se todo jovem tivesse a chance de passar algumas noites sem dormir para fazer festa com os amigos.
... se nunca esquecêssemos de dar recados importantes.
... se as crianças já nascessem gostando de verduras, legumes e frutas.
... se cartões de crédito nunca dessem problema na hora de pagar aquela conta astronômica.
... se nunca nos estressássemos por causa de péssimos cortes de cabelo.
... se não chegássemos tarde no cinema tendo que sentar na primeira fila.
... se fôssemos sempre felizes, ao lado de pessoas queridas, vivendo experiências inesquecíveis e fazendo sorrir aqueles que convivem com a gente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Os últimos (e emocionantes) acontecimentos

Depois de um mês sem dar as caras por aqui, consegui reaparecer. Tenho vários motivos para ter sumido. O mês de janeiro foi corrido, cheio de surpresas e acontecimentos interessantes.


Posso dizer que o ano começou muito bem, pois passei o réveillon com meus primos que por força do destino, eu só vejo uma vez por ano, durante poucos dias. Sem falar no meu afilhado fofo que em breve vai me obrigar a reaprender francês para poder me comunicar com ele. Para quem não sabe, ele é filho de uma prima minha, e estão morando na França há alguns anos.


Infelizmente no dia seguinte, tivemos que deixá-los no aeroporto, e logicamente foi um momento triste. Mas para compensar essa tristeza, poucos dias depois a minha irmã veio novamente ao Rio me visitar. Como sempre, os dias ao lado dela são divertidos, especiais e inesquecíveis. E obviamente de muito chororô quando ela vai embora. Não consigo evitar, é mais forte do que eu, a casa fica vazia, silenciosa e sinto uma falta monstro dela. Mas em poucos dias a vida vai voltando ao normal e fica tudo bem.


Durante esses dias em que ela esteve aqui, já estava correndo atrás de um sonho que felizmente se concretizou e ela pôde estar comigo pra compartilhar desse momento. Sou a feliz proprietária de um imóvel, e em breve vou me livrar do aluguel. E o que é o máximo, continuar a morar perto do trabalho.


Outro acontecimento divertido do mês foi algo bastante inusitado. Uma amiga mandou um recado no Twitter perguntando se alguém conhecia mulheres que não querem casar e ter filhos. Lógico que me manifestei na mesma hora, afinal sou decididamente uma representante desse grupo. Depois de uma troca de e-mails, topei dar um depoimento sobre o assunto, e ainda recebi em casa um fotógrafo que tirou fotos minhas como se eu fosse uma estrela de Caras. Foi divertidíssimo. E o resultado disso, pode ser visto aqui (vale dizer que o último depoimento é de uma querida amiga minha).


Esse já seriam motivos suficientes para me deixar mais do que feliz, mas eu queria mais!


Quem me conhece sabe que além de gostar muito de música, sou uma frequentadora assídua de shows. Até já fui mais, mas hoje o preço exorbitante dos ingressos e a vida de mulher independente me impedem de ser a rockeira que outrora fui. Mas Metallica em São Paulo, ao lado da minha irmã (que já estava com o ingresso dela em mãos), era algo muito significativo. Foi por causa dela e de Metallica que eu comecei a ouvir heavy metal, quase 20 anos atrás. Até já tínhamos ido juntas a um show deles 11 anos atrás, mas que foi um fiasco, e sabendo que esse não seria, cogitamos a possibilidade de irmos novamente.


Apenas três dias antes, sem ingresso ou passagens na mão, decidimos ir. E ainda havia um detalhe interessante. Nesse mesmo dia, minha mãe me disse que a família comemoraria a conquista do meu apartamento no final de semana, mesmo sem a minha presença. Eu tinha então, dois ótimos motivos para ir a São Paulo.


Dito e feito. Comprei ingresso, passagens e sábado no meio da tarde estava na rodoviária, torcendo para que nenhum dos meus parentes dissesse aos meus pais que estava indo, pois a ideia era fazer surpresa no almoço de domingo, quando abririam uma garrafa de champanhe durante a comemoração.


Meu cunhado foi quem bolou o esquema de como fazer a surpresa. No que estavam abrindo a garrafa, minha irmã me ligou e fingia que estava conversando comigo. Eu que estava na portaria subi, abri a porta de casa e entrei lá tremendo, numa mistura de alegria, saudade e emoção. Foi impagável a cara de espanto dos meus pais. Apesar de ser um momento que (infelizmente) dura poucos segundos, ficará guardado na minha memória por um bom tempo. Finalmente abrimos a champanhe, conversamos e fomos para um almoço delicioso. Durou pouco meu encontro com eles, mas valeu cada minuto, principalmente pelo fator surpresa. Quem dera poder fazer isso com alguma frequência.


Depois de um bom descanso na casa da minha irmã, rumamos para o show, felizmente bem perto da casa dela. Tirando pequenos imprevistos na entrada, finalmente conseguimos chegar lá dentro a tempo. O show foi ótimo, mas ficou aquém das minhas expectativas, o que decididamente não foi unanimidade. Só vi pessoas falando bem, e elas estão certas, eu é que estava esperando muito e me decepcionei. Mas ainda assim, foi maravilhoso ter ido e curtido esse momento ao lado da minha irmã. Posso dizer que o mês terminou com chave de ouro.


E eis que chega o mês mais divertido do ano. Quem me conhece, sabe que estou falando isso não por causa do carnaval, data que abomino, mas por causa do meu aniversário, data que adoro.


Esse ano, depois de muito tempo, a comemoração vai ser atípica, já que estou aqui no Rio, onde, por incrível que pareça, tenho muitos parentes mas poucos amigos. Motivo pelo qual resolvi fazer algo no próprio dia, uma 5a feira, e não num sábado, como de praxe. Até mesmo porque, o sábado seguinte ao meu aniversário, já é carnaval. E, além disso, não vai acontecer o tradicional jantar com meus pais, irmã e cunhado, por motivos óbvios.


Ao contrário dos últimos anos, também não vai ter aquela expectativa monstro pra saber quem vai aparecer ou não na comemoração, além de não ficar aflita pensando se aquele sujeito que faz meu coração bater mais forte, vai dar as caras ou não. Também não terei que ficar me preocupando em reservar um lugar grande e onde tenham comandas individuais, além de não ter muitos motivos para me preocupar com a conta no final da noite. Acho que tem tudo pra ser uma noite divertida.


No final das contas, acho que tudo isso justifica meu sumiço. E pelo andar da carruagem, talvez passe mais um mês sem escrever nada, mas com certeza volto pra contar em que pé está a questão reforma/mudança.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Erros de português

Ao longo do último ano passei a colecionar erros de português que vejo por aí. A maioria deles, pasmem, veio de listas de discussão de RH, nas quais a maioria dos participantes é de graduados. Os outros foram tirados de blogs com os quais esbarro pela Internet e de um ou outro e-mail particular que recebo.


Não quero parecer prepotente, ou dona da verdade. Erro bastante, não nego, mas acho que seria incapaz de escrever algumas das besteiras que vocês vão ler abaixo.

Dividi em quatro níveis os tais erros. Inicialmente estão aqueles mais comuns e não tão chocantes e termino o texto com os piores, alguns que inclusive exigiram certo esforço para serem compreendidos.

Vale dizer que tudo foi transcrito sem que eu mudasse uma letra ou pontuação, e em alguns casos, por serem de difícil compreensão, dei uma ajudinha colocando no final uma explicação.

Divirtam-se.


Os comuns

- Em fim

- Dês de já

- De vez enquando

- Necessáriamente

- Agente (na verdade o que querem dizer é “a gente” !)

- Em quanto as pessoas...

- Eu não sei lhe dar com esse tipo de situação

- A pouco tempo atrás

- Se fosse para mim ligar sobre o que as pessoas dizem

- Desconcordo da sua visão


Os misturados (acentuação, grafia, pontuação, concordância, etc.)

- O presidente vivi viajando e até tem várias gosações em programas de humores como "zorra total" e ainda fica almeijando fazer uma viagem espacial, ja não basta tem comprado o Airbus ACJ e facar passeando pra cima e pra baixo... É querer d+ mesmo!

- Cojitados, colocam estas direções em sua afrente de qualquer outro, e que não praticam a atividade de divergir sua vida pessoal da profissional, (o que é muito comum, pois o ser humanos busca unicidade

- Graças a nossa mae que nos criou para o mundo como grandes gladiadores que nao aceitao derrotas estamos sempre levantando e comesando outra batalha ai fe em deus e pe na tabua

- Talvez um abordagem mais participativa não sei como vcs trabalham mais se vc fazer com que até as pessoas que poderiam ter assumido a posição, sentir que não é incapaz ou que ela não foi escolhida por uma questão de qualificação e não por questão pessoal ...

- Possam te dar um retorno positivo, não sei se vc conhece ou se já leu mais existe um livro do Idalberto Chiavenato que se chama gestão de pessoas pode ter algumas coisas interessantes sobre conflitos internos.

Os absurdos

- Quem entereça

- Sou J. Idealizador e criador da metodologia X cuja o site poderá ser objeto de conhecimento no endereço: www...

- Obrigado por intender o que eu disse me caro...

- Obvil (óbvio)

- Respaudo

- Apse (ápice)

- Meu sonho deis de pequena

- Semana quivem

- Estou tentando engressar na área

- A via (havia)

- Deve ser poriço q ele tentou mudar tanto.

- Desponibilidade

- Disposto a infrentar e superar todos os desafios

- Não faço a menor questão se quer de abrir!... Outra coisa que encomoda...

- Bom, isso já é outra discursão... não deturbando o objetivo maior...

- Fui na inalguração de uma casa caribenha...

- Cincero/onesto/hipocresia

- Alguen si abilita

- Gostaria que voçê me envia-se um link ...

- Vamos polpar maior sofrimento da família.

- I quem nao conhese este cara tem que conheser ele e massa

- Que todos sao sidadoes e pagao para viver


Pausa para uma observação. As duas listas a seguir foram tiradas cada uma de um único e-mail:

- Pucha / Bareo (bairro)/ Decepsionar/ agrecivo/ pença como quer/ acedio/ se falamos outra hora/ ilugiei/ merese/ talvês/ envão/ pra mim viver/ ipotse/ compença/ empreção/sugeira/farça/ Que sirva para quem me chamou de enguinorante. Será que foi eu que dessi o nível?

- ...a posição da cituação do programa e ter continuado no programa/ Mais ele achou que estava fazendo a coisa certa/ Se ele acinou o contrato/ A non ser que ele queria... preciptou em quebar

E quando você acha que não poderia haver nada além dos absurdos, pasme! Há ...

Os muito absurdos

- Comsepiçaõ

- Sou capaz de conquistar o mundo, emproou da mulher amada. (Adivinharam essa? O sujeito quis dizer EM PROL !)

- Inspontanio

- Esterótico (esteriótipo)

- Conhecem algum proficional liberal ...

- Se relassionar sem preconsseitos ou tabus utrapassados.

- Sou culto e enteligente

- Aqueles. quem quize coversa comigo mim procure..

- Jantar enrestorente (tradução: em restaurante)

- Tenho um grupo de alunos que precisão desenvolver um case (Putz, essa pessoa tem ALUNOS !)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Balanço dos seis meses

Hoje faz seis meses que estou morando no Rio. Nesse meio tempo foi possível fazer algumas e novas observações sobre a cidade, sobre a minha vida aqui e constatar pequenas coisas no meu dia a dia.


Moro há relativamente pouco tempo aqui, mas me sinto praticamente como se nunca tivesse morado em outro estado, tamanha minha familiaridade com a cidade e meu bairro. Me sinto em casa.

Estou muito feliz, apesar da falta que sinto da minha família, de alguns amigos e de alguns lugares em São Paulo, mas acho que o saldo é bastante positivo.


Uma das poucas coisas que me irrita muito, mas com a qual estou aprendendo a conviver, é o calor. Mesmo antes do verão ter começado, as temperaturas já beiravam o insuportável. Como não há solução, acabei me acostumando, e ao mesmo tempo dando graças a Deus por não padecer muito ao ir pro trabalho, pois quando chego lá, em poucos minutos, o ar refrigerado resolve meu problema. Porém, confesso que já deixei de sair algumas vezes pra ficar no conforto do meu lar fresquinho. Em breve serei obrigada a fazer de novo uma escova progressiva, ou ser mais radical e cortar os cabelos curtos. Apesar de mais onerosa, prefiro a primeira opção.

A minha vida social até que anda razoavelmente agitada. Nem sempre faço os mesmos programas que fazia em São Paulo, pois os amigos são diferentes e seus gostos também, mas não posso me queixar. Recentemente descobri um cinema que num determinado dia da semana é tão barato, que passei a fazer isso com freqüência. Tendo como aliado o táxi também barato, esse passou a ser um dos meus programas preferidos. E que eventualmente ainda me trazem algumas surpresas agradáveis.

Em se falando da noite carioca, ainda não tive muitas experiências para poder comparar, mas pelo pouco que vi até agora, não conseguiria diferenciá-la da noite paulistana. E algo que é novidade, pois nunca vi em São Paulo, é um movimento chamado Pay what you want, que como o nome diz, consiste basicamente em se pagar o quanto se achar justo num determinado programa. Pode ser de R$ 1,00 a quanto sua conta bancária permitir. Alguns lugares estipula, dois valores, algo como 8 ou 80. Literalmente. E acreditem, uma grande parte encara o valor máximo. Achei a idéia interessante, mas ainda não fui a nenhum lugar com esse esquema. Se for o caso, venho contar como foi.

Agora uma pausa para uma observação feminina. Os cariocas são grandes conquistadores e na maioria das vezes tem um sotaque que começou a me soar bastante sexy. Vou dar tempo ao tempo e descobrir mais a respeito deles quando estiver disposta a conhecer alguém.

Outro aspecto que tem me deixado contente é o custo de vida carioca. Com exceção dos imóveis, indecentemente mais caros, praticamente tudo por aqui é mais barato. E ao contrário do que imaginei, a conta de luz desse mês, em que usei o ar condicionado à exaustão, não foi exorbitante.

Uma situação com a qual tive que me reacostumar, foi com entregadores subindo até o meu apartamento. Em Sampa não acontecia isso, e aqui quando toca o interfone eu tenho que me policiar pra não dizer ao porteiro que já estou descendo. Para falar a verdade eu até prefiro, e apesar de poderem subir, eu vou cogitar passar a fazer isso por uma questão de segurança e quem sabe sugerir a implantação da idéia no prédio.

Fala-se muito sobre as belezas naturais do Rio, o que não é nenhuma mentira. Meu apartamento não tem a melhor vista, é bem perto de outro prédio e um pouco devassado, mas ao menos consigo ver um dos morros do Pão de Açúcar. Em compensação, a outra vista é do cemitério. Das minhas três janelas consigo ver o Vale do Futuro lá na frente. Nada que incomode, mas é curioso.

Apesar deste detalhe, posso dizer que dei muita sorte em ter encontrado esse apartamento, tenho absolutamente tudo de que preciso pertinho de mim. E, por incrível que pareça, o que mais me atrai é um hortifruti, que além de ficar bem perto, fazem entrega e é o grande culpado por eu ter me viciado em fazer uma salada de frutas maravilhosa.

Também posso dizer que dei sorte no trabalho. Estou numa área que curto, trabalho com pessoas legais, minha chefe é ótima, o ambiente é agradável e o melhor de tudo, fica tão, mas tão perto de casa que vou até lá almoçar praticamente todo dia, e ainda tenho tempo para uma mini siesta.

Ou seja, não posso reclamar da nova vida. Agradeço sempre por durante esses 6 meses ter dado tudo certo e mais do que nunca, estar certa de que essa foi uma decisão difícil, mas bastante acertada.

E uma constatação curiosa, é impressionante a quantidade de vezes em que confundo o Rio com São Paulo. É ainda muito freqüente, por alguns segundos achar que estou num lugar e de repente me dar conta de que não estou. Vejo isso como um bom sinal, de que me sinto tão em casa em ambas as cidades que chego a confundi-las e acabo dando risada de mim mesma. Mas quero crer que seja uma questão de tempo e que em breve, isso aconteça apenas esporadicamente.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mais uma listinha

Na falta de tempo e pra não deixar o blog às moscas, lançarei mais uma vez. mão de um recurso divertido.

Outra listinha pra passar o tempo:


10 coisas que eu quero de Natal:
Tempo pra viajar mais

Meus quadros pendurados nas minhas paredes como num passe de mágica
Um piso novo para minha sala
Unhas postiças
Um ar condicionado pra minha sala
Um celular com bateria perpétua
Uma tv nova pro meu quarto
Cabelo escovado pra sempre
Ganhar na mega sena
Paz

9 bandas que eu amo:
Depeche mode
Killers
Blind Guardian
Iron Maiden
REM
U2 (afinal, quem foi rei nunca perde a majestade)
Metallica
Manic Street Preachers
Faith no More

8 coisas que eu faço todo dia:
Escovo os dentes
Brinco com meus gatos
Ouço musica
Entro na internet
Leio
Vejo tv
Falo no telefone
Como

7 coisas que eu adoro
Dias em que não morro de calor
Ler
Ver filme
Quando acaba o carnaval
Baixar músicas
Descobrir algo novo
Comer

6 coisas que sempre vão conquistar meu coração
Bom senso de humor
Sorrisos
Simpatia
Educação
Respeito
Inteligência

5 favoritos
Filme: Peixe Grande
Música: In your room, Depeche Mode
Bebida: Coca zero /light
Comida: pão
Estação do ano: inverno

4 cheiros que eu gosto
Chuva
Meus perfumes
Refogado de alho com cebola
Meus incensos

3 lugares que eu quero conhecer
New York
India
Países Baixos

2 feriados que eu amo
Ano Novo
Qualquer um com mais de 3 dias

1 pessoa com que eu casaria sem pensar
Impublicável. Quem sabe, sabe.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Bullying e rejeição na minha infância

Recentemente lendo o texto de uma amiga sobre acontecimentos ocorridos na infância dela, fui imediatamente remetida à minha.

Atualmente lido muito bem com a minha deficiência, em todos os sentidos. Diga-se de passagem, essa expressão “deficiência”, ou as correlatas, em nada me incomodam. Tem que as ache pejorativas, mas como sou do tempo em que não se falava em “portadores de necessidades especiais” ou outras invencionices, isso não representa um problema pra mim.

Mas nem sempre fui assim. Como sabemos, crianças são bastante sinceras e, porque não dizer, maldosas também. Aquelas que são diferentes das outras são inevitavelmente marginalizadas, desprezadas. Esse foi exatamente o meu caso.

Lembro que quando tinha por volta de uns 8 anos, estudava em um colégio pequeno, onde eu fui pega para Cristo. Estudava em uma turma também pequena, eram 5 meninas e uns 10 meninos. A diversão deles no recreio era correr atrás da manquinha, ou da Medusa, como um deles resolveu me apelidar.

Aliás, esse menino, cujos nome e rosto até hoje não esqueço, e que era o líder da turma, ficou por muito tempo me perseguindo. Não necessariamente na prática, mas sonhava com ele e tinha medo de vê-lo em qualquer lugar em que estivesse. Felizmente nunca o vi fora do colégio.

O pior de tudo é que o sujeito no início do ano, quando nos conhecemos, era uma graça, todo educado e simpático, vivia conversando comigo e me dando presentinhos. Aí, algo fez com que ele se transformasse naquele pequeno monstro que passou a me aterrorizar diariamente.

Era humilhada na frente de todo mundo, e parecia que ninguém tinha compaixão. Até hoje não entendo como aquilo acontecia num colégio pequeno sem que professores/orientadores vissem e repreendessem o líder e os que se juntaram a ele.

Não tinha perdão, nada que eu fazia ou dizia passava em branco. Toda e qualquer palavra que saísse da minha boca era motivo para piadinhas de gosto duvidoso.

Aprendi a conviver com isso em silêncio. Talvez nem tanto silêncio assim, pois nessa ocasião já fazia terapia - logicamente não por decisão minha, assim como não tinha discernimento para entender do que se tratava – e certamente foi algo fundamental para mim.

Esse drama durou alguns anos e foi uma experiência traumatizante. Prova disso, é que não me lembro de praticamente nada agradável ocorrido nesse tempo, mas não esqueço os momentos desagradáveis. Hoje superei e acho que lido bem com a lembrança, mas não gostaria de um dia ver esse sujeito na minha frente.

Mudei de colégio aos 10 anos, por diversos motivos, e passei a estudar num bem grande e onde finalmente passei a me sentir melhor por não ser tão sacaneada. Mas isso não significou o fim da rejeição.

Comecei a ter aulas de educação física, o que se tornou um verdadeiro trauma para mim. Eram freqüentes os jogos de vôlei e queimado, mas logicamente eu ficava sempre na reserva. Ou quando raramente jogava, me sentia invisível. Ninguém me passava uma bola, implicavam com o meu andar e ouvi uma frase que me deixou muito triste e demorou algum tempo para ser processada: “você vai jogar mesmo andando assim?”. Eu na época, ainda muito submissa e sem atitude, disse algo como “é, melhor eu não jogar né? Também lembro até hoje o nome dessa menina.

Outra situação que passou a ser freqüente eram as festinhas de aniversário. Sempre tinha alguma pra ir. E na ocasião, com uns 11, 12 anos, é quando os meninos estavam começando a paquerar as meninas, chamá-las pra dançar e tentar conquistá-las. Eu virei o patinho feio, não era nunca a escolhida e ficava lá sentada olhando, fingindo que estava tudo bem. Nessa época, sofria uma espécie de bullying velado (se é que isso existe), pois sabia que comentavam sobre mim, sempre de forma pejorativa. Tinha a sensação de que de nada adiantava ir sempre arrumadinha, cheirosinha e bonitinha. Só minhas amigas me elogiavam, enquanto elas eram elogiadas pelos meninos.

Passei toda minha infância e adolescência morando num prédio grande, cheio de crianças e onde tinha piscina e playground, ambientes que eu freqüentava com assiduidade. Acho que era minha válvula de escape dessas situações vividas nos colégios, pois ali ninguém me rejeitava, eu conseguia ser eu. Claro que tinha minhas limitações, não conseguia pular corda e nem elástico muito bem, nas brincadeiras que exigiam muito esforço físico sempre era prejudicada, mas nunca fui feita de vítima talvez por ter minha irmã, mãe e várias outras, e algumas queridas sempre por perto.

Não falo isso hoje para que tenham pena, aliás, algo que não suporto. Mas sim porque tenho orgulho de mim, de ter vencido quase que completamente o problema (dizer que não ligo a mínima seria mentiroso da minha parte), e que hoje minha auto estima é outra. Consigo conviver com os olhares e comentários alheios sem me incomodar. Mas se disseram algo como “coitada, que pena”, eu fico bastante incomodada. Sou independente, e não foi á toa que conquistei isso, então não me acho digna de pena, muito pelo contrário.

Agradeço acima de tudo aos meus pais que me trataram sempre como se eu fosse “normal”, mas com o bom senso de me mostrar que eu sempre tive e sempre terei uma característica única com a qual tive que aprender a conviver.

Minha irmã também tem grande parte nesse processo. Sempre me viu como uma pessoa igual às outras e apesar de eventualmente ter um cuidado exagerado comigo (hoje em dia bem menos do que na nossa adolescência), nunca me tratou como alguém com um problema.

Sem pieguice, é com alegria que hoje me considero uma pessoa que inspira orgulho, sem falsa modéstia. .

Todos esses acontecimentos me levam a pensar em outra questão, mas que como não é da minha competência, não vou desenvolver, mas deixo como reflexão. Será que crianças podem ser pessoas do mal ou essas atitudes eram somente diversão? E será que crianças já nascem más ou desenvolvem isso com o tempo, em função das influências externas?

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E para descontrair um pouco:

Personalidades da semana: Letícia Birkheuer, Betty Lago, Francisco Dornelles, Oswaldo Montenegro (não agüento mais ver esse barba branca), João Havelange, Ciro Gomes e Patrícia Pillar (linda de morrer).

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Homenagem

Ontem foi um dia especial para mim. Minha irmã fez aniversário, e foi um dos poucos em que não pude estar com ela depois de tantos anos.


Queria ter escrito algo antes da data, mas não consegui e como vi que ainda demoraria alguns dias para fazer isso, acabei lembrando de um texto escrito 5 anos atrás e resolvi resgatá-lo.

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HOMENAGEM

Há exatamente vinte e nove anos minha vida mudou. Eu que era uma criança de dois anos jamais imaginaria que aquela criaturinha recém saída da barriga da minha mãe se tornaria uma das pessoas mais importantes para mim.

Acho que o fato de não ter sentido ciúmes dela, algo muito comum nessas situações, foi o primeiro indício de que aquela seria uma ótima relação entre duas irmãs. Desde sempre foi um privilégio poder conviver com alguém tão especial.

Não é com qualquer um que se troca discretos olhares, suficientes para saber o que a outra está pensando ou sentindo. A sintonia é total e percebida por todos e só quem tem o privilégio de ter um irmão ou irmã pode entender a importância de uma relação como essa.

Fico indignada ao ver irmãos brigando, é algo que me entristece e não entra na minha cabeça. Lógico que não escolhemos a família onde vamos nascer, mas o amor por pais e irmãos é algo que me parece ser inerente ao ser humano e, justamente por isso, quando não acontece me assusta um pouco. Claro que infelizmente há algumas exceções.

Eu não escolhi minha irmã, mas sou eternamente grata por ter tido a imensa sorte de tê-la na minha vida.

Lembro que sempre a provocava dizendo que ela havia sido encontrada num cestinho na porta de casa, bobeira na qual ela acreditou por longos anos, mesmo tendo visto fotos da minha mãe grávida, dela recém nascida, de cartões comemorando a chegada dela. Como me diverti às custas disso !

E ela continua me divertindo até hoje. É a única pessoa que conheço que é capaz de ver um filme super bobo e rir, mas rir tanto e de forma tão engraçada que te dá vontade de rir também. Isso é especial.

Memórias da nossa infância são inúmeras. Teve uma vez em que ela toda fofa resolveu deixar eu brincar de cabeleireiro e estragar o cabelinho loiro dela de tal maneira que a única solução foi cortar “Joãozinho”. Jamais reclamou ou brigou comigo por causa disso. Noutra ocasião me ajudou a “assaltar” a casa de uma amiguinha do prédio e depois me defender quando vieram me acusar.

Nossas peripécias infantis são tantas e tão divertidas que seríamos capazes de entreter platéias por horas com nossas lembranças.

Fofocas, segredos, confissões, decepções, discussões, muita risada. Quanta coisa eu ganhei com a chegada dessa menina!!!!

Como se não bastasse ser uma irmã perfeita, é uma filha dedicada, uma namorada irrepreensível, uma profissional excelente, uma grande amiga e querida por todo mundo. Vai ter fã assim lá no Orkut !!! Algo que, aliás, a boba não teve paciência de aturar e pediu para que a tirasse de lá. Pena, teria testemunhos lindos de muita gente que a adora. A prova disso foi ver no último final de semana um salão cheio de pessoas que a amam e estavam lá pelo simples prazer de estarem ao seu lado.

Vou ter sempre saudade das nossas andanças de sábado pelas ruas de São Paulo, tardes em casa fazendo deveres de casa e passando trotes, férias passadas na piscina do prédio, brigas, unhadas e pontapés que renderam muito mais do que dores. Lembranças deliciosas.

Mas tenho que me conformar que o tempo passa, a vida muda e muitas das coisas que fizemos num passado não tão distante assim, hoje são apenas lembranças que dão lugar a novas e interessantes descobertas, pessoas e lugares.

Sei que um dia ela vai sair de casa e deixar muitas saudades, mas pra onde quer que ela vá, seja pra outro continente ou pra outro bairro, vai ter sempre uma pessoa pensando e torcendo pela felicidade dela.

Que Deus me permita poder conviver com ela por infinitos anos.

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Foi bastante curioso ler esse texto 5 anos depois. Algumas coisas mudaram nesse meio tempo.

Ela se mudou relativamente pouco tempo depois dessa data. Três anos atrás eu também fui morar sozinha. Tais mudanças fizeram com que nos distanciássemos um pouco, mas pouco mesmo. Nada que tenha alterado nosso relacionamento, apenas nossa convivência passou a ser menos freqüente.

Mas há 5 meses houve uma mudança bem mais radical. Vim morar a quase 500 km de distância dela. Nos falamos diariamente, mas nos vemos muito pouco. E numa dessas vezes, três semanas atrás, ela veio me visitar e passar 3 dias comigo. Foi um dos feriados mais felizes dos últimos tempos. Pudemos reviver várias dessas situações das quais sinto eterna falta e comprovar absolutamente tudo isso que continuo sentindo e pensando sobre ela.

E talvez tenha sido a despedida que mais me fez chorar em toda vida, curiosamente mais do que no dia em que me mudei para cá.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Final de semana fashion – parte 2 – Ou “O dia em que vi a Mariah”

Não tinha muita idéia do que vinha pela frente, e como não tinha grandes expectativas, tudo seria uma surpresa. Mas como todo início de show inevitavelmente é empolgante, as luzes se apagando, o palco se iluminando, o público se manifestando, achei legal.



Quem entrou no palco como mestre de cerimônias foi a Fernanda Lima. É uma pessoa indiferente para mim, mas dei o braço a torcer, ela estava ótima no palco, bonita, simpática, e fez muito bem a parte dela. E logicamente usou 3 vestidos lindos ao longo da apresentação.



O primeiro a se apresentar foi o Diddy, que era P. Diddy, mas que também, já foi Puff Dady, ou algo que o valha (vai ver que o sujeito tem crise de identidade).


Não gosto de rap, portanto achei o show um porre, mas felizmente foi curto, assim como todos os outros. Ninguém tocou mais do que 4 músicas.


Na 3ª música entravam os modelos desfilando um nome/grife. Nesse caso foi Versace. Ficam pouco tempo, se não me engano durante apenas uma música, e somem. Não foi um desfile que tenha me chamado atenção. Aliás, poucos chamaram. Acho que os momentos musicais foram muito mais atraentes do que os momentos fashion.



Fiquei sabendo que todas as coleções apresentadas são de temporadas passadas, nada havia de novidade. Por um lado, acho que isso foi válido, já que num lugar daquelas proporções mal conseguia ser ver as roupas. Um erro grave foi filmarem muito pouco os looks e muito mais os artistas no palco. Tanto que só no dia seguinte fiquei sabendo que modelos conhecidas como Raica, Isabelli Fontana e Ana Claudia MIchels desfilaram.



O ritmo da apresentação era bem rápido, assim que acabava um show/desfile, a Fernanda Lima entrava, fazia uns comentários, às vezes apresentava um vídeo, normalmente sobre o Rio ou sobre o festival ao redor do mundo.



Começou a segunda apresentação, a única pela qual eu tinha algum interesse, pois tratava-se do Alexandre Hercovitch, cujas criações eu curto bastante, e de uma banda chamada Stop Play Moon, da qual já ouvi falar bem diversas vezes, mas que nunca tinha escutado. Gostei muito, tanto da banda, quanto do desfile e da combinação. Na minha opinião, a mais legal da noite. No final da apresentação, como de praxe, o estilista é apresentado e entra rapidinho no palco para agradecer. No caso do Hercovitch, foi uma aparição relâmpago, dizem que o cara é super tímido. Depois fiquei sabendo que a banda substituiu o Lulu Santos. Pena, teria sido legal.



Mais uma vez a Fernanda Lima entra e apresenta a próxima atração. André Lima e Ja Rule com Wanessa Camargo (que parece não querer mais usar o sobrenome). Olha, eu tinha uma puta implicância com essa menina, mas ela me surpreendeu. Claro que não compraria um cd dela ou iria a um show, até mesmo porque não conheço sequer uma música dele, mas a menina cantou uma música bem razoável, a voz dela deu uma mudada considerável e a evolução dela é visível. Cantou uma música com o sujeito, depois cantou sozinha e não lembro se ele também cantou sozinho. O desfile não me chamou atenção.



Depois de mais uma aparição da Fernanda Lima (dessa vez já com outro vestido, lindo por sinal), entrou no palco uma tal de Ciara, da qual nunca tinha ouvido falar. Cantou rap, ou algo que o valha e foi um show que não me disse absolutamente nada. Mas nesse caso, o desfile que foi do Givenchy, de longe me pareceu bacana, mas só no dia seguinte lendo a respeito é que pude ver que realmente estava bonito.



Nova aparição da Fernanda Lima, e em seguida entrou outra cantora que para mim poderia ser a tal Ciara ali de cima (até mesmo pelo tipo de música), mas era a Estelle, que também era uma completa desconhecida pra mim. O diferencial foi que antes dela entrar, rolou um show de percussão bem bacana, com o Afro Lata. O desfile era da Lenny, que faz moda praia. De modo que foi uma profusão de maiôs na passarela. Achei bem bacana, e desconfiei ter visto a Isabelli Fontana no desfile, o que depois confirmei.



O show seguinte foi um dos que eu tinha interesse em ver, Grace Jones. A mulher é fenomenal. Não conheço nada dela, mas as músicas são interessantes, e ela tem, além de um corpão pra uma mulher de 60 anos, presença de palco. Foi legal e acho que a combinação com o desfile do Marc Jacobs foi ótima. E ele foi um estilista que não estava presente, mandou um representante brasileiro do qual nunca ouvi falar.



O espetáculo estava começando a chegar ao fim, e a platéia foi ficando histérica por causa da Mariah. Mas ainda não era a vez dela. Mais uma vez foi apresentada outra atração, uma das mais aplaudidas da noite (e uma das poucas que eu conhecia), Daniela Mercury. O show foi animadíssimo, colorido e finalmente ouvi uma música conhecida, algo que até então não tinha acontecido. Quem desfilou sua coleção foi o Lino Villaventura, que não me diz absolutamente nada, mas cujo resultado achei legal.



Depois da mestre de cerimônias cujo nome não agüento mais escrever, aparecer de novo com outro vestido, eis que para alegria de grande parte dos presentes e pra minha infelicidade, ela anuncia a Mariah Carey. Putz, que show chato! A fulana tem uma voz irritante, canta músicas chatas, estava com uma roupa horrível e que de tão justo mal permitia que ela se mexesse (algo bem irônico se levarmos em conta que era um evento de moda), e o pior de tudo, simplesmente deu a mancada de apresentar o estilista, assim como todos os artistas fizeram. Foi bem desagradável, mas infelizmente ela não chegou a ser vaiada. O desfile da Calvin Klein foi bem bonito, porém tinha muita roupa preta, o que eu achei ruim, pois não teve um contraste com o visual da Mariah, da mesma cor.



E assim terminou essa diferente noite fashion. O caminho até a saída foi tranqüilo, mas tive que redobrar a atenção por ter tomado um pouco mais do que devia e estar com a coordenação um pouco alterada. Mas felizmente correu tudo bem e em poucos minutos estávamos rindo diante de tanto carrão chique, e esperando o modesto 1.0 da minha amiga.



Ainda fomos comer pizza numa pizzaria badalada, e como estamos no Rio, não podíamos deixar de ver artista. Dessa vez foi a mais nova peladona da Playboy, a Juliana Alves, e a Paula Burlamaqui. Nada a comentar a respeito das duas.



E quando eu achei que a safra de eventos fashion havia acabado, no domingo fui convidada para almoçar num dos restaurantes mais caros e badalados da cidade. Tomei um banho, me arrumei de novo e lá fui eu provar muita comida diferente e gostosa e ter uma tarde divertida. Sem barulho, confusão, famosos e principalmente, sem música ruim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Final de semana fashion – primeira parte

O último final foi marcado por eventos interessantes.

Tudo começou na 6ª feira, quando por volta das nove da noite, um dos meus primos me liga perguntando se eu tinha programa para sábado à noite. Diante do meu “não”, ele me ofereceu dos ingressos VIP’s para um evento do qual eu já tinha ouvido falar, mas que não me interessava tanto assim, além de ser extremamente caro, por volta de R$800.

Tratava-se do Oi Fashion Rocks, espetáculo que une shows a desfiles de moda, concomitantemente, e que aparentemente são grande sucesso na Europa há alguns anos. A parte dos desfiles muito me interessava, já as atrações musicais não, pois não gosto de nenhuma delas e algumas sequer sabia que existiam.

Mas achei que valeria a pena conhecer o evento, convidei uma amiga e sábado à noite estava toda arrumada, empolgada e cheirosa pra começar a noite.

Passamos na casa da minha tia para pegar os convites, e a nossa primeira reação foi de surpresa. Vimos que nossos assentos além de serem num lugar privilegiado davam direito a estacionamento gratuito no local, logicamente com manobrista

Ao chegarmos, pediram os convites e já direcionaram o carro para uma entrada em que estava escrito “Red Carpet”. Claro que já foi motivo para as duas bobonas começarem a rir.

Diria que a entrada, por incrível que pareça, foi um dos pontos altos da noite.
Ao descermos do carro, nos deparamos com um corredor obviamente com tapete vermelho e muita, muita agitação. Uma infinidade de câmeras, fotógrafos se acotovelando, muitas luzes, microfones em punho. Era ali que estava o bochicho.

Tive que me concentrar muito para não tropeçar nos fios, não esbarrar em ninguém e correr o risco de pagar um mico. Felizmente deu tudo certo e cheguei ao final do corredor sã e salva. O único probleminha foi que por causa dessa minha atenção redobrada, não consegui prestar muita atenção no que se passava em volta e só consegui ver o (lindo) marido da Daniele Winits, o Cássio Reis gravando uma reportagem. Só no dia seguinte descobri que ele era o entrevistador, e não o entrevistado.

Ao sair do corredor chegamos num terreno enorme, no qual tinham diversas entradas para os diversos setores, e logo vi o Paulo Borges, sujeito totalmente in no circuito da moda, mas que não era alguém que me causasse algum tipo de frisson.

Como estávamos em cima da hora e o convite dizia que o espetáculo começaria IMPRETERIVELMENTE (em maiúscula por minha conta) às 21h, nos dirigimos aos nossos lugares.

No longo e sinuoso caminho não vimos mais ninguém ou nada interessante, a não ser meninas esquálidas e com roupas de gosto duvidoso e organizadores eufóricos.

Nosso lugar era num camarote, confortável e com ótima vista para o palco, e no qual cabiam ao todo umas 12 pessoas, felizmente todas bem comportadas.

Ao sentar me surpreendi com uma bandeja cheia de bebidas, desde água a espumante num grande balde de gelo. Não seria a primeira a me aventurar nesse oásis, até mesmo porque como não sou costumaz frequentadora deste tipo de evento, não sabia o que a etiqueta diz sobre como agir. Portanto esperei que alguém tomasse a iniciativa e só aí me servi.

Foi uma decepção quando a garrafa acabou e ouvi alguém atrás de mim conversando com o garçom, que disse que aquela seria a única disponível (pouco, se considerarmos que as 12 pessoas beberiam). Mas ok, estava no lucro mesmo assim, e ainda havia uma garrafa de vodka, água, energético e refrigerante. Com sede eu não ficaria.

Eis que aconteceu algo interessante, chegou mais uma garrafa e nos demos conta de que ela estava liberada, não havia sido comprada por ninguém. E assim continuou a noite, garrafas sendo substituídas com certa freqüência, o que fez a alegria de grande parte dos presentes.

Ficamos conversando, bebendo, observando as pessoas durante 1 hora e 40 minutos, o que nos frustou um pouco, por termos entrado correndo e não conseguirmos nos divertir mais no tapete vermelho. Tudo por causa da palavra “impreterivelmente” grafada no convite, que nos fez entrar correndo. Mas não reclamei, foi divertido, vimos mais alguns poucos famosos – o Toni Garrido que já havia visto umas semanas trás conforme contei aqui e a apresentadora Glenda Koslowski, linda por sinal. Ok, não vi o prefeito e governador, tampouco o tudo de bom Oskar Metsavaht (estilista e dono da Osklen), mas estava me divertindo tanto que nem me incomodei.

Manifestações vindas do backstage animam a galera, já ansiosa depois de tanta espera. Finalmente, com quase duas horas de atraso, o espetáculo começa.

E no próximo post vou contar como foi, o que eu achei e como terminou a noite. Assim como o evento do dia seguinte, afinal como diz o título, não foi só no sábado que teve acontecimento fashion.

sábado, 24 de outubro de 2009

Lista musical

Como a minha vida por aqui já está estabelecida e nada de muito novo ou diferente tem acontecido, vou começar a mudar o foco dos assuntos do blog para não condená-lo ao ostracismo.


Achei uma listinha simpática navegando por aí, e como se tratava de música, resolvi brincar também. O fato adorar fazer listas contribuiu para essa estar aqui.


Logicamente foi difícil escolher só três músicas em cada categoria, então coloquei as primeiras que me vieram à cabeça. Muitas mereciam estar aqui, mas resolvi trabalhar o sério problema que tenho na hora de fazer escolhas e saiu o que vão ver abaixo.


Aproveito pra fazer uma confissão light. Na lista que achei era só uma música, mas não me contive e resolvi colocar três. Isso é legal para que aqueles que ainda não conhecem meu gosto musical, passem a conhecer.


Divirtam-se, surpreendam-se, critiquem, riam de mim e façam suas listas se quiserem.


1 - Três músicas que lembrem sua infância:
Balão Mágico - Superfantástico
Trem da Alegria - He-man
Vinícius de Moraes- O Pato (mas cantada não sei por quem)


2- Três músicas que lembrem sua adolescência:
New Order - True faith
George Michael - Faith
Pet Shop Boys - Always on my mind


3- Três músicas para ouvir em uma noite chuvosa:
Sinatra - Fly me to the moon
REM - Imitation of life
Radiohead - There there


4- Três músicas que lembrem seus amigos:
Depeche Mode- Never let me down again
Stop - Erasure
Skid Row - Wasted time


5- Três músicas que seus pais gostam e você também:
Qualquer uma do Sinatra
Qualquer uma dos Beatles
Garth Brooks - Standing outsider the fire


6- Três músicas que te lembrem uma paixão (não necessariamente a mesma):
Helloween - Forever and one
Led Zepellin - Kashmir
Foo Fighters - Everlong


7- Três músicas para tocar em uma manhã ensolarada:
Franz Ferdinand - This fire
Pulp - Common People
Placebo - Every you, every me


8- Três músicas que te entristecem:
Alice in Chains - Down in a hole
Maria Bethania - Grito de Alerta
Boomtown Rats - I Don’t like mondays


9- Três músicas bregas, que você assume que gosta:
Chitãozinho & Xororó com a Fafá de Belém - Nuvem de lágrimas
Rosana - O amor e o poder
Mc Marcinho (?) - Se ela dança eu danço


10- Três músicas para ouvir em um carro conversível na estrada:
Ramones - Psycho Therapy
Stratovarius - Phoenix
AC/DC - Thunderstruck


11- Três músicas que te empolgam:
Iron Maiden - Be quick or be dead
Metallica - Whisky in the jar
Cure - Friday I'm in love


12 - Três músicas para beijar ou para ouvir em momentos íntimos:

Depeche Mode - In your room/ One caress/ Stripped
Nine Inch Nais - Closer
Led Zepellin - Since I’ve been loving you


13 - Três músicas que tenham uma versão bem diferente da original e que você curta
Gamma Ray - It´s a sin
Demons and wizards - Immigrant song
Can’t get you out of my head da Kylie Minogue, numa versão gótica que ouvi UMA vez numa balada em Barcelona,. Nunca esqueci dessa música, venho tentando baixar há anos e não faço idéia de quem canta, o que dificulta bastante o processo.


14 - Três músicas que conheceu recentemente e curtiu
Gossip - Heavy Cross
Primal Scream - Get Duffy
Julian Casablancas - 11th dimension


15 - Três músicas que você não suporta
Whitney Houston - I Will always Love you
Celine Don - Aquela chatíssima do Titanic
Mariah Carey - Todas

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um pouco de história

Um pouco sobre a minha história vocês já tem lido aqui, mas hoje resolvi contar um pouco sobre a história da origem de um bairro pelo qual eu tenho muito carinho, que é Botafogo. Foi onde morei até me mudar para São Paulo, e para onde acabei voltando recentemente.

Não é um bairro cool, como aquele onde eu morava em São Paulo. Muitos dizem que é passagem, pois é pequeno, e fica realmente num caminho entre bairros mais importantes e maiores da Zona Sul. Mas ainda assim tem seu certo encanto, nem que seja na minha cabeça nostálgica.

Passeando por aqui, é inevitável lembrar de diversos acontecimentos da minha vida, assim como tentar lembrar como eram determinadas ruas e imóveis por onde eu sempre passava.

Essa nostalgia, aliada à minha curiosidade, me fez pesquisar e descobrir informações e fotos bastante interessantes a respeito do bairro. Sou apaixonada por fotos antigas, que inevitavelmente vêm acompanhadas de histórias. Pronto, fui fisgada.

Claro que é muito mais divertido ver fotos e reconhecer os lugares em questão, mas mesmo que esse não seja o caso da maioria de vocês, acho que ainda assim vale dar uma olhada em tais fotos (cujos links estão no final do texto) e conhecer uma história interessante.

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A origem do tradicional bairro de Botafogo se confunde com a história da fundação da Cidade do Rio de Janeiro. Em 1565, na base do morro Cara de Cão, onde hoje está localizada a fortaleza de São João no bairro da Urca; o Capitão-Mor e Governador Estácio de Sá (1542-67) funda a 1º de março a "Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro".
Neste mesmo ano, Estácio começa a doar terras a colonos e agricultores para que desenvolvessem alguma cultura nas mesmas, proporcionando assim o desenvolvimento da região.

Quatro meses depois da fundação, Estácio de Sá, resolveu demarcar os limites da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e doou a seu amigo Francisco Velho, grandes extensões de terra que abrangiam áreas correspondentes hoje, aos bairros de Botafogo, Urca, Flamengo (parte), Humaitá e Lagoa (parte).

Tal doação constituía-se num vale, formado pelos morros que foram batizados no século XVII de São João e Dona Marta, e cortados por dois grandes rios: o "Berquó" ou "Brocó", ambos ainda hoje existentes, um deles passando canalizado pelo Cemitério São João Batista e o outro passando paralelamente à Rua São Clemente, pelos terrenos de algumas mansões.

A partir de 1565, surge o primeiro nome português do local, a "Enseada de Francisco Velho". Pelo qual ficou conhecido por mais de quarenta anos.
Quando houve a expulsão dos franceses em março de 1567 e a transferência da cidade para o Morro do Castelo, a família Velho passou a residir em morada erguida onde hoje existe o imenso edifício neoclássico da "Universidade do Brasil", na Avenida Pasteur, antiga "Praia da Saudade".

O bairro acabou sendo rebatizado em 1590, quando Antônio Francisco Velho vendeu suas terras para o amigo sertanista, João Pereira de Souza Botafogo, que desde então emprestaria seu sobrenome em definitivo ao bairro. O curioso é que possivelmente esse não era nome de nascença, mas sim apelido, muito comumente dado em Portugal a homens especialistas em armas de fogo manuais. Outra versão diz que o sertanista ficou conhecido por "Botafogo", desde que foi chefe da artilharia do famoso Galeão Botafogo, o mais poderoso navio de guerra do mundo na época.

Até o início do século XIX, o bairro era praticamente despovoado e considerado uma área rural. Um oficial russo que aqui esteve descreveu-o como "uma obra-prima da natureza". De um lado, o mar. De outro, as montanhas.

Mas a chegada da Família Real à cidade, em 1808, mudou a vida do Rio, e principalmente a de Botafogo, que de bairro rural, transformou-se no local preferido pelos nobres e também pelos comerciantes ingleses que procuravam Botafogo para fixar suas belas residências, tanto que o bairro ganhou o apelido de Green Lane.

Quando chegou ao Brasil, Carlota Joaquina - a esposa de D. João VI - escolheu um terreno em Botafogo para construir sua mansão, que ficava de frente para a praia. Sua presença imprimiu um novo estilo ao bairro, que se valorizou e consequentemente passou a ter suas terras disputadíssimas.

A urbanização foi chegando devagar. Em 1847, as ruas foram tomadas por carros de duas rodas e capota puxados por animais. Vieram também as diligências e, mais tarde, o bonde de tração animal da Companhia Jardim Botânico. Em 1854, o abastecimento de água começou a funcionar e seis anos depois, a iluminação a gás veio substituir as lamparinas de óleo de baleia. Em 1888 foi fundado um enorme depósito de gás, com capacidade para cinco mil litros de gás.

Pouco a pouco, novas ruas começaram a surgir. O processo era sempre o mesmo: as ruas eram abertas pelos proprietários das chácaras e, depois doadas ao Município.

Inaugurado em 1852, o Cemitério São João Batista é um marco na história do Rio de Janeiro. Foi um dos primeiros cemitérios sem distinção de classes. Escravos e pobres eram enterrados em cemitérios de covas rasas. Nobres e ricos, em cemitérios particulares, e os religiosos nas igrejas.

A igreja mais antiga de Botafogo foi a Matriz de São João Batista, construída em 1831 e doada por Joaquim Batista Marques de Leão.

Já na metade do século XIX, o bairro ganhou colégios, clínicas, casas de pasto e um comércio. O primeiro colégio foi o Imaculada Conceição, logo seguido pelo Santo Inácio. O primeiro clube foi o Guanabarense, fundado em 1870. O Clube Botafogo, foi fundado duas vezes. Primeiro surgiu o Club de Regatas Botafogo em 1894, graças às regatas na enseada, e em 1904, nasceu o Botafogo Football Club. A união dos dois clubes só aconteceu em 1942, sob ao nome de Botafogo de Futebol e Regatas.

Como em 1903 o bairro de Botafogo era um dos mais importantes da cidade, sua orla teve um destaque especial, sendo ali abertas três pistas: duas com piso de asfalto, para automóveis; e uma de areia, para cavalos, bem como a construção de jardins floridos.

Como naquele tempo o banho de mar ainda não era um hábito comum, o prefeito aterrou totalmente a praia, a qual somente ressurgiu em pequeno trecho na década de 40 e totalmente restaurada pelo Governador Carlos Lacerda, na década de sessenta.

Infelizmente, as belas mansões que margeavam a praia foram quase todas demolidas a partir da década de cinqüenta, sendo substituídas por edifícios modernos.

O Presidente Rodrigues Alves inaugura a Avenida Central, a 15 de novembro de 1906, com uma "carreata". Em 1903, quando as obras começaram, somente existiam licenciados seis automóveis, mas na inauguração da Avenida Central e da orla de Botafogo, eram 40. Em 1906, eram 153 veículos.
Na Praia de Botafogo foi fundado, em 1909, o Automóvel Clube, mas por volta de 1903 e 1904, os ricos e excêntricos já davam suas voltas motorizadas pelo bairro.

Se antes Botafogo era local de nobres, a partir de 1900 também passou a ser habitado por operários, biscateiros e artesãos, funcionários públicos e militares, comerciantes e profissionais liberais. Ao invés dos enormes casarões, as habitações coletivas se tornaram a marca do bairro.

Somente entre 1925 e 1930 surgem as Ruas Barão de Lucena e Guilhermina Guinle, onde não existiam vilas, pois uma lei municipal já havia proibido a construção das mesmas em Botafogo. É quando começam a surgir pequenos prédios, de no máximo quatro andares

O crescimento de Copacabana e do Jardim Botânico provocou uma verdadeira explosão no comércio e nos serviços de Botafogo. Os moradores desses novos bairros tinham que ir até Botafogo por causa dos hospitais, escolas e mercados, e, retornavam às suas casas no último bonde, o de quatro e meia da tarde. Enquanto Copacabana e Jardim Botânico nas décadas de 40 e 50 registravam taxas de crescimento de 74% e 59% respectivamente, Botafogo registrava apenas 8%, se tornando a partir daí uma mera ligação entre os diversos bairros da cidade. Dizem que vem daí a expressão “bairro de passagem”.

Botafogo hoje

Atualmente, Botafogo é um bairro de classe média e média-alta com cerca de 100 mil habitantes. Apresenta cinemas, teatros, shoppings centers, boates, casas de show, museus, centros empresariais, consulados, clínicas e hospitais e algumas mansões preservadas do início do século XX e fim do século XIX. É também conhecido como o "bairro das escolas", o "bairro das clínicas" — devido à grande presença destes estabelecimentos na região.

É um dos mais importantes centros de serviços da Zona Sul, principalmente para os bairros vizinhos Hmaitá e Urca, de padrão mais residencial. Na Rua Voluntários da Pátria e suas imediações está o principal centro comercial da região, com inúmeras lojas, agências bancárias, edifícios comerciais e grandes empresas.

É onde se localiza a Escola de samba São Clemente, assim como locais importantes como o Palácio da Cidade, a Fundação Getúlio Vargas, a casa de Rui Barbosa, entre outros.

A presença da favela Dona Marta na área evidencia um contraste social, semelhante ao que acontece também na Praia de Botafogo, dividida entre shoppings, centros empresariais e alguns edifícios residenciais de baixo padrão, conhecidos na cidade como cabeças-de-porco, sendo o Edifício Rajah o mais famoso deles.

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Alguns links para álbuns de fotos antigas do bairro:

www.flickr.com/photos/andre_so_rio/444862203/

www.flickr.com/photos/8264320@N04/514795193/

www.flickr.com/photos/11124678@N02/1773179415/

www.flickr.com/photos/thomazmoore/76427114/

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Importante dizer que as informações foram tiradas dos sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/Botafogo_(bairro_do_Rio_de_Janeiro) e http://www.amabotafogo.org.br/. Caso haja interesse, sugiro darem uma olhada principalmente no segundo, pois há muita informação interessante lá.